Quando despertei, o relógio na minha cabeceira berrava 10:00
da manhã. Em 2 anos foi o primeiro dia que, finalmente, eu acordei sem um peso
na consciência. Parecia que eu tinha acordado em mundo diferente, onde eu ouvia
o som que o vizinho estava ouvindo invés do toque do meu celular com seu nome
na frente pra me lembrar de que eu devia ter te ligado na noite passada.
Parecia que, enfim, eu enxergava o brilho do sol, invés
daquela nuvem negra que pairava na minha cabeça todo santo dia após uma
discussão matinal.
Olhei pras minhas unhas e vi o azul-metálico brilhando. Você
odiava o azul- metálico e dizia que parecia um projeto de Drag Queen.
O vento acariciava minhas pernas descobertas. Senti falta
dos meus shorts jeans que você enchia o saco dizendo que eu não deveria exibir
minhas pernas finas usando-os.
Meus fones de ouvido estouravam com um sertanejo romântico
que dormi ouvindo. Você dizia que era música de dor-de-cotovelo.
Finalmente exibi minha tatuagem perto do ombro, você dizia
que era coisa de mulher sem rumo.
Então, finalmente, eu tomei uma dose de vergonha na cara,
fiz um origami com o papel de besta que eu fazia, e soltei a corda que me
prendia a você.
Acho que não aguentaria mais um dia ouvindo você me
criticar, ou alguém iria parar de baixo de ônibus. E te garanto, não seria eu.

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